Os diferentes tratamentos estéticos devem respeitar os traços étnicos para atingirem resultados naturais e harmônicos. Usar as substâncias da mesma maneira, nos mesmos pontos faciais, de forma a “seguir uma cartilha” para todos os pacientes, é o jeito mais fácil de deixar todos os rostos iguais ou até de causar deformidades, como paralisar exageradamente a fronte ou preencher demais as maçãs do rosto, por exemplo.
Para evitar este tipo de problema, deve-se considerar a individualidade do paciente antes de se indicar um tratamento estético. Afinal, sabe-se que cada raça tem características únicas que podem influenciar os resultados.
Sabe-se, por exemplo, que orientais tem faces mais arredondadas e lábios mais finos que negros, os quais, por sua vez, tem maçãs do rosto mais proeminentes e lábios grossos. Nada mais lógico do que aplicar ácido hialurônico (preenchedor) em pontos diversos, a fim de manter a harmonia da face, suprindo as deficiências e ressaltando os pontos fortes de cada um. Da mesma forma, negros tem a musculatura da testa mais forte em relação aos caucasianos e asiáticos, o que requer aplicação diferente da toxina botulínica nesta área.
Outra diferença importante entre as raças é a tendência a manchas. Peles negras e amarelas (asiáticas) tendem a manchar mais que a pele branca (caucasiana). O melasma é bastante comum, está relacionado a alterações hormonais (gravidez, uso de anticoncepcional) e é exacerbado pela exposição solar. Tratamentos para esta condição devem ser individualizados, pois há maior risco de hiperpigmentação pós-inflamatória em negros e amarelos, fazendo com que os parâmetros usados em lasers devam ser mais brandos nestas raças, assim como o uso de peelings e despigmentantes devam ser indicados com parcimônia.
Quanto à cicatrização, as peles amarela e negra tem maior risco de desenvolver queloides e cicatrizes inestéticas em geral. Por isso, apesar da carga genética tem grande influência no resultado das cicatrizes, o médico deve ser ainda mais cuidadoso na sutura (em caso de cirurgias) e na indicação de tratamentos que sabidamente podem gerar cicatrizes aumentadas nestas raças.
